18 julho

Pão de açúcar

Comentários

Lembro direitinho do dia em que fiz meu primeiro pão. Era um pão doce. Receita garimpada nas muitas revistas de culinárias que circulavam pela casa da minha avó. Como era eu a editora das receitas que deviam ser copiadas para o caderno da Dona Luiza, tinha o direito de ficar com os "originais". Pois esta semana encontrei a folha de revista com o tal pão. Fui obrigada a testar para ver se conseguia repetir a sensação da estreia. Veja bem, dos anos 1980 para cá foram muitas sensações. Boas, ruins, mais ou menos. Pois repetir a experiência da primeira vez, para mim, foi engraçado. Primeiro porque, nas minhas lembranças de confeiteira infantil, a receita era muito difícil. Tinha que deixar a massa crescer, trançar o pão, fazer o glacê de açúcar… Lembro da cara de espanto da minha mãe ao avistar o pão pronto, com cara de feito na padaria. Fiquei orgulhosa, portanto. Ontem, achei a receita fácil demais. Fazer tranças foi a parte mais divertida da história. Depois de pronto, achei o sabor meio besta. O da padaria certamente é melhor. Valeu pela experiência de saber que nem tudo o que lembramos como algo memorável de fato o é. Aliás, poucas coisas são melhores antes do que agora. Especialmente cortes de cabelo. A cara desse pão, com jeito de revista amarelada pelo tempo, me lembrou mullets, pochetes e carteira da OP. Mil vezes as receitas de hoje. Mil vezes viver o dia de hoje, afe!

comentários